História

 

 

HISTÓRICO DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (EZLN)

1994
Em 1/1, o EZLN ocupa simbolicamente seis municípios do Chiapas, reivindicando "teto, pão, terra, saúde, democracia, liberdade e justiça" e  declara guerra ao Exército Mexicano.

Ainda em 1/1, o NAFTA entra oficialmente em vigor.

O Exército Mexicano passa a reprimir o EZLN, que se infiltra na selva e inicia um "diálogo eletrônico" com a sociedade civil nacional e internacional, com a imprensa e o governo mexicano.

Em julho, o EZLN surpreende a todos com a idéia de criar uma Convenção Nacional Democrática na Selva Lacandona, com o objetivo de discutir os
paradigmas para um novo México "onde caiba o mundo".
Milhares de pessoas quebram o cerco do exército e respondem ao convite dos "homens sem rosto". Por vários dias a Selva Lacandona se transforma em um anfiteatro político.
 
1995
Os diálogos pela paz não progridem; o governo tenta regionalizar o conflito, reduzindo as reivindicações dos insurgidos à questão indígena.

A repercussão internacional dos acontecimentos provoca a retirada de capitais estrangeiros e o incremento do processo inflacionário. O governo opta pela solução armada invadindo povoados, avançando cada vez mais no interior da floresta, destruindo colheitas e despejando numerosas comunidades.

Por meio das páginas "web" os zapatistas solicitam a intervenção da sociedade civil internacional. Em poucos dias embaixadas mexicanas em várias cidades do mundo são assediadas por pessoas que exigem o fim da repressão aos zapatistas.

Na França, na Inglaterra, na Alemanha e na Itália, grupos de intelectuais, artistas e personalidades públicas escrevem declarações desaprovando a resolução militar dada ao conflito.

O governo mexicano interrompe a intervenção militar. Em várias nações do mundo surgem comitês de solidariedade, atividades de apoio e organizações nacionais em contato direto com a Selva Lacandona, via Internet. As cartas do subcomandante Marcos tornam-se um best-seller mundial.

Caravanas provenientes de várias cidades mexicanas chegam ao coração da selva carregadas de alimentos, roupas e solidariedade, movidas pelo lema: "vocês não estão sozinhos".

O EZLN organiza uma Consulta Internacional sobre qual deveria ser, no futuro, a sua atuação política. Entre outras perguntas, colocava o dilema no tocante à natureza do exército zapatista: continuar como força insurgente ou tornar-se um partido político.

Surge a Frente Zapatista de Libertação Nacional - organismo não armado e aberto a participação de todos os cidadãos que não ocupam cargo público - com o objetivo de criar comitês que lutam por "democracia, liberdade e Justiça".
 
1996
Pessoas de grupos, idades, culturas e ideais diferentes respondem ao apelo dos zapatistas e votam, nos próprios países,  decidindo pela continuidade da luta e pela não institucionalização do movimento.

Em agosto, o EZLN organiza um Encontro Intercontinental na Selva Lacandona. "pela humanidade e contra o neoliberalismo". Superando o cerco do exército federal e as dificuldades ambientais, delegações de países de todos os continentes chegam à selva. Hospedados nos vários povoados indígenas e divididos em comissões por idiomas, os participantes discutem sobre meio-ambiente, desemprego, exclusão social, direitos étnicos, etc. entre as personalidades e intelectuais que participam das atividades se destacam A. Touraine, R. Debray, E. Galeano e D. Miterrand.

Surgem outros dois movimentos guerrilheiros no México. Um deles, o EPR (Exército Popular Revolucionário), com membros espalhados nos diversos estados do país, é orientdo por uma forte inspiração socialista.

O Governo Proíbe a participação da delegação zapatista no Fórum Indígena Nacional organizado na Cidade do México. Os zapatistas lançam uma campanha  internacional denominada "caravana eletrônica", que consiste no envio de  mensagens à autoridades mexicanas solicitando a participação da delegação  dos insurgidos. A pressão faz o governo mexicano rever a sua posição e, assim, a comandante Ramona fala ao Fórum Indígena Nacional em nome do EZLN.

Vários jornalistas e membros da Frente Zapatista são presos por suspeita de atividade terrorista. Tal retrocesso leva os zapatistas a interromperem as tratativas com o governo.
 
1997 - 1998
O ano de 1997 se caracteriza pelo incremento da violência na região do Chiapas, à qual o EZLN procurou responder politicamente com ações públicas e transnacionais.
O aumento da violência se inicia com o atentado a D. Samuel Ruiz, bispo de San Cristóbal de las Casas, há vários anos empenhado na luta pelo reconhecimento das culturas e dos direitos das populações indígenas.

Em resposta à crescente militarização, os zapatistas insistem na tentativa de contrapor a política às armas, organizando a "Marcha dos 1.111 indígenas" (com um representante por comunidade indígena do Chiapas). A caravana, completamente desarmada, é recebida com festa, alegria e solidariedade pelos moradores de cada cidade por onde passa.

A contrapartida não tarda a chegar: no dia 22/12/97, um grupo de homens armados invade a comunidade de Acteal disparando contra as pessoas que se encontravam em uma celebração religiosa. Como resultado, 45 indígenas assassinados. A notícia faz volta ao mundo, recolocando a questão da democracia no México.

Como resposta, no dia 12 de janeiro de 1998, o EZLN promove uma campanha internacional pela desmilitarização do Chiapas, pelo respeito ao acordo de San Andrés e pela captura e julgamento dos responsáveis pelo atentado. São realizadas passeatas e ações em 130 cidades de 27 países dos 5 continentes.
O Parlamento Europeu e o Vaticano divulgam documentos de condenação ao atentado e de preocupação com a intensificação do conflito na região.

Na Cidade do México, em apoio a luta zapatista, 250 milhões de mexicanos pedem a desmilitarização imediata do Chiapas e a captura dos responsáveis.

Durante uma manifestação pacífica em San Cristóbal de las Casas, a polícia feriu vários manifestantes e matou Guadalupe Lopez Mendez.

Atualmente existem cerca de 60.000 soldados federais em Chiapas. A violência tem crescido brutalmente contra as comunidades. Casas  e bibliotecas queimadas, pessoas executadas arbitrariamente,sequestros e desaparecimentos. Essa tem sido a realidade de Chiapas.